sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Progressismo? I

Justiça

O Observatório Permanente da Justiça entregou um relatório onde defende aquilo que toda a gente já reclamava há muito tempo, no funcionamento da Justiça, entre outras coisas, o antigo regime de prisão preventiva.
A incompetência e a vontade de reduzir o défice são, na minha opinião, as explicações principais para as alterações que o governo de José Sócrates introduziu na Justiça durante os últimos quatro anos. Muitas vozes se levantaram e todas eram unânimes, só o governo, com a sua arrogância, não via o que era e é óbvio.
Segundo as minhas previsões o que o próximo governo, de maioria relativa, de mansinho, vai fazer é emendar tudo o que o “animal feroz” fez durante a arrogância de quatro anos de triste memória. O progressismo já começou a transformar-se em "regressismo". 
Nenhum dos partidos da oposição aceitou qualquer acordo ou coligação. Porquê? O lema do PS em campanha eleitoral foi: “avançar Portugal”. Ora toda a gente sabe que o abismo está, precisamente, a um passo ou ainda menos.
Que assuma, sozinho a responsabilidade.
Afinal onde está o tão apregoado progressismo?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Na hora do recreio I

O menino Sousinha e o menino Sócas
- Eu sou teu amigo, não sou, Sousita? Sempre nos demos muito bem, não podemos brigar um com o outro. Nós fomos sempre da mesma escola, não fomos?! Olá! Não sorris para mim? Vá lá!
- Da mesma escola? Tu és um tresmalhado, um vendido! Eu não te conheço!
- Ó Sousita, não vês que não podes ser mau para mim? Olha que eu tenho os comandos do jogo?
- Eu não te quero ver mais aí em cima. Fizeste alianças com aqueles meninos, os mais ricos da escola e abandonaste os outros. Desprezaste os descalços e rotos e os que nem brinquedos têm.
- Ó Sousinha, vamos lá, olha que se a minha turma perde vai ser uma grande desgraça. Já viste o velho papão da direita que mete muito medo a todos os meninos? Olha que ele vem lá! Vem, vem!
- Tu? Ó Sócas?! Então tu fizeste alianças com o grande capital! Tu é que és o grande papão da direita!
- Olha que eu fiz muitas coisas boas! Não viste? Então eu dei tantos brinquedos a todos os meninos das escolas todas deste país! Umas coisas azuis!
- Tu tiraste a liberdade a toda a gente! Ameaças os meninos que dizem mal de ti e queres controlar tudo. Sabes? Não gosto de ti.
- Ahhhhhhh! Ahhhhh! Ó senhora professora, olhe o menino Sousinha está sempre a bater-me. E não devia porque eu sou da mesma turma dele!
- O que fizeste, menino Sousinha?
- Nada, senhora professora. O menino Sócas é que quer os brinquedos todos para ele e tira-nos o dinheiro todo para comprarmos outros novos!
- Não vês que o menino Sócas é o chefe de turma. Tens de fazer o que ele manda.
- Não, não, senhora professora. Ele está a abusar. Agora vamos escolher outro.
- Portaste-te mal, menino Sócas? Fizeste alguma maroteira?
- Não, senhora professora! Eu nunca me portei mal. Mas ele está sempre a bater-me. Ele e os outros da direita.
- Pronto, pronto, não chores mais, menino Sócas!
- Eles estão sempre a dizer que a crise é culpa minha! Mas eu não fiz nada, eu estive sempre quietinho. Ela é que apareceu cá. Eu nem sabia o que era uma crise!
- Então não sabias dizer à crise para não vir?
- Não, senhora professora! Eu estava um dia a brincar quando a vi chegar, levada pelo vento! Mas eu, agora, estou a fazer muitas coisas para acabar com ela: muitas escolas novas, muitas estradas e auto estradas, uma linha de comboio muito cara, etc. Estou a dar diplomas a toda a gente para mostrar que sabemos muito. Não dou mais porque não aparece mais ninguém, nem ao domingo.
- E tens dinheiro para fazer isso tudo, menino Sócas?
- Eu não! Mas não sou eu que pago! São os meninos todos, os papás deles e a senhora professora!
- Deixa lá! Se eles não gostam do que fazes, tens de ter paciência!
- Eles dizem que vão rasgar os meus papéis todos, todinhos! Ó senhora professora, ahhh! ahhh!
- Se calhar os teus desenhos estão mal feitos! …
- Para mim estão muito bonitos!
- Vá lá, menino Sócas! Se os outros meninos não gostam, não podes obrigar, está bem?!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Milhões ao desbarato

Democracia esbanjadora e inútil
Esta forma de democracia está desactualizada em relação a tudo o que deve ser o bom senso: é esbanjadora e inútil. Um mero objecto de luxo. Foi pensada para o tempo das vacas gordas e como se nunca houvesse vacas magras. Desde que se implantou a crise que se passou a olhar para as despesas do dia-a-dia com outros olhos e todo o processo de eleições deveria, também, ser alterado. Os milhões que se gastam sempre que há eleições são um atentado a todos os que vivem e sempre viveram na pobreza e a todos os desempregados.
Há pessoas que não têm possibilidades de se alimentarem dignamente, crianças que passam fome, reformados que sobrevivem com uns míseros duzentos euros.
Como é possível permitir-se que se gaste tanto dinheiro inutilmente e ao desbarato, a maior parte das vezes para semear ilusões ou para prometer o impossível?
Hoje, grande parte ou mesmo a maioria da população sabe ler e tem acesso aos meios de comunicação social mais comuns, a rádio e a televisão, por que não limitar as campanhas eleitorais a um conjunto de comunicados, debates com todos os candidatos e outro tipo de informação prestada aos cidadãos? Gastar tanto dinheiro em campanhas é tomar o povo como analfabeto e inculto.
Todos os partidos deveriam ser considerados iguais, com tempo de antena igual. O passado não deveria ser critério para o futuro. Cada eleição é uma renovação, é um começar de novo. Se os partidos são favorecidos, monetariamente, em função dos votos conseguidos no passado, já estão em vantagem em relação a um partido que apareça pela primeira vez. Ninguém garante que este não seja melhor do que o outro. Esta seria a verdadeira democracia, justa e igualitária. Se avaliarmos os partidos pela maior exuberância demonstrada, quem nos diz que os que dão sinal de maior vitalidade não são como as ervas daninhas que crescem mais e são mais viçosas do que as plantas cultivadas? Em geral as ervas daninhas roubam e consomem os nutrientes que o agricultor coloca na terra para alimentar a boa semente, ficando esta, muitas vezes a definhar. Parece-me que com os partidos mais gastadores acontece o mesmo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Eleições legislativas e autárquicas

O dia das eleições

O senhor Presidente da República tem nas mãos a batata quente da marcação das eleições legislativas. Uns partidos consideram que as
eleições autárquicas e as legislativas não devem ser no mesmo dia porque está em causa “o valor da democracia” ou “a clareza democrática”, etc.
Para aqueles que perderam toda a credibilidade nos políticos e na vida política do país e que normalmente se abstêm, tanto faz que sejam no mesmo dia como em dias diferentes. Para aqueles que participam habitualmente nos actos eleitorais, obrigá-los a um esforço em duplicado é passar-lhes um atestado de menoridade e de incompetência. Será que quem vota não sabe distinguir uma eleição autárquica de uma legislativa? Este procedimento não é comum noutros países?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Educação sexual?

Preservativos grátis.

O governo, pela voz do primeiro-ministro José Sócrates, propôs, há dias, a distribuição gratuita de preservativos nas escolas, no próximo ano lectivo, de acordo com o seu programa de educação sexual.
Esta proposta é, com toda a evidência, mais uma medida avulsa que não vai ter consequências práticas, como tem acontecido com a maioria das decisões deste governo, por diversas razões:
Primeiro: se um dos grandes objectivos da educação sexual é promover a saúde reprodutiva entre os jovens, não será uma falha grave a inexistência de condições efectivas para que isso aconteça? Como é que um rapaz, sexualmente bem formado e informado, pode dar o devido uso ao seu preservativo se a escola não tiver instalações apropriadas? Se o fundamental da educação sexual está no preservativo, e não se trata do sexo dos anjos, por que não transformar algumas salas de aula em cubículos confortáveis para o efeito? (Nada foi esclarecido sobre a forma das sessões, se colectivamente ou em privado.) Não será uma enorme frustração sexual ter que ir para o jardim, para debaixo da ponte, para um campo de milho ou embrenhar-se na vegetação ripícola, ecologicamente agradável, mas sujeito a alergias, picadas de insectos e outras mazelas? Alugar um quarto, nem que seja no hotel mais económico da região, não estará ao alcance de qualquer estudante. Em casa? E se os pais forem anti-progressistas e antiquados, como poderão admitir poucas vergonhas sob o seu tecto? Só haverá uma alternativa, apetrechar as escolas com modernos e confortáveis divãs freudianos onde os jovens, em início de carreira, dando largas à "libido", possam realizar a sua catarse sexual, onde não faltem afrodisíacos e produtos afins, caso contrário continuará tudo como dantes: nos becos, nas vielas, no meio do lixo dum armazém abandonado ou na poeira húmida da cave de uma casa em ruínas pejada de ratazanas e teias de aranha. Provavelmente, o senhor primeiro-ministro já terá pensado em tudo isto e as novas escolas, em construção por todo o país, já terão resolvido esta grave lacuna.
A falta de instalações adequadas implicaria, também, uma grande falta de higiene e não tardaria que proliferassem pela relva e pela calçada os imundos látexes das delícias a poluir o caminho. Imagine-se o embaraço de uma professora de Biologia, a entrar na aula, com o salto alto conspurcado por uma camisinha abandonada!
Uma outra razão que me leva a considerar que a distribuição gratuita de preservativos é uma medida avulsa e sem efeitos práticos é precisamente por serem gratuitos. Tudo o que é dado gratuitamente desvaloriza quem recebe e desmotiva quem dá. Toda a educação exige esforço, sempre foi assim. Os jovens têm que saber o que custa a vida. Se na educação sexual tudo é dado, o preservativo, a parceira, que se oferece com prontidão, a escola que aprova, o governo que apoia e todas as associações de pais e alunos que aplaudem, como é que pode existir uma sexualidade consciente e responsável? Tornar cara e difícil a aquisição do preservativo não seria uma razão forte para o usar? Não faria reflectir e tomar consciência do acto? Todo este facilitismo não torna o sexo demasiado banal e desmotivante? Se tudo é dado em troca de nada quem é que assume a responsabilidade? Onde está aquela tensão que faz sobressair o poder e o sabor da conquista que torna o troféu mais valioso, porque mais desejado?

Qual ilha dos amores, os heróis foram presenteados com as suas ninfas, como troféu, depois de "por mares nunca dantes navegados" terem passado "além da Taprobana" e depois de "em perigos e guerras esforçados" terem erguido "Novo Reino que tanto sublimaram"! Onde estão agora os heróis? Por que razão se hão-de oferecer camisinhas? Para ganhar votos? Comprar votos com camisinhas? Como, se os jovens vão estar mais inclinados para o leito do que para a urna?

domingo, 31 de maio de 2009

Em nome da dignidade e do futuro

Nova manifestação dos professores
Mais uma vez os professores manifestaram a sua indignação contra a incompetência do governo e do Ministério da Educação.




quarta-feira, 27 de maio de 2009

Política "justiceira"

Dias Loureiro demite-se do Conselho de Estado
(Algumas perguntas)

Que diferença haverá entre o caso
Dias Loureiro/SLN e o caso Sócrates/Freeport?
Porque é que alguns partidos pedem a demissão de Dias Loureiro, com base apenas em suspeitas, e não pedem também a demissão do primeiro-ministro?
Se se parte do princípio de que as acusações ao senhor primeiro-ministro são infundadas e sem crédito, porque é que não se parte do mesmo princípio em relação ao Dr. Dias Loureiro?
Com todas as audiências parlamentares a que estamos habituados, a Assembleia da República ter-se-á transformado em tribunal plenário? O tribunal mudou-se para a Assembleia da República?
Se as suspeitas se transformam automaticamente em sentenças, de que está à espera o Dr. Lopes da Mota?
Já não podemos confiar nos tribunais? Já os podemos considerar inúteis?