Esta
assembleia é perversa porque as leis, ali aprovadas, são a causa de toda esta
miséria. Quantas vezes, em propagandas eleitorais, estes senhores, toda esta
classe política, nos prometeu progressismo, felicidade, bem estar, sucesso,
crescimento económico e muitos outros benefícios e facilidades quando afinal
nos conduziram a todos para a penúria? A quem é que o povo vai pedir
responsabilidades? Onde está a competência desta gente engravatada e bem
vestida? Tirem a gravata que até parece mal. O povo está de tanga. O povo está
na miséria. Vendam esses carros topo de gama que são do povo. Andem a pé.
Entreguem o palácio ao santo que só ele nos pode valer. Estamos todos numa
enorme calamidade. Estamos todos em estado de sítio. O povo está explorado e
escravizado e não aceita mais impostos que só enchem os bolsos de grande parte
dos políticos, que são autênticos carrascos do povo e parasitas alarves.
domingo, 9 de setembro de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
A prepotência das greves
Nesta pseudodemocracia em que vivemos as greves já não servem para
reivindicar melhores salários, para protestar contra a exploração, a
prepotência e abuso de poder da entidade patronal. Hoje a greve da CP em dias
feriados é um autêntico atentado contra os direitos da maioria do povo
português, contra as classes mais desfavorecidas que não têm outra alternativa senão
os transportes públicos. A greve da CP é um autêntico abuso de poder e uma
inaceitável prepotência de uma classe que trabalha, que tem emprego, mas não está
para sofrer, para se sacrificar, para suportar a austeridade, como os funcionários
públicos a quem foram retirados os subsídios de férias e de Natal e a quem
cortaram no vencimento. Se a Constituição define o Estado Português como uma
sociedade solidária, isso não é verdade em relação a esta classe que, alegadamente,
presta um serviço público, mas na realidade o serviço que estão a prestar, como
trabalhadores e cidadãos deste país é um mero serviço privado. Os interesses
que comandam a sua luta e a sua acção são apenas e só os seus próprios interesses.
Como são trabalhadores de uma empresa pública, quem lhes paga é o povo com o
dinheiro dos impostos e o seu dever seria servir bem o povo, estar ao seu serviço
e não o contrário, servirem-se dele, prejudicando-o. O povo é a entidade
patronal que eles querem chantagear. Para que serve uma empresa de transportes
se o povo não se pode servir dela quando precisa? Para que serve uma empresa
que só dá prejuízo, não presta o serviço que deveria prestar e só existe para
satisfazer os privilégios de quem lá trabalha? Não seria preferível fechá-la de
uma vez, visto que o povo nada beneficia, mas pelo contrário, só tem prejuízo
de milhões todos os meses?
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Grécia – a crise e pessimismo trágico
A Grécia sempre na vanguarda
Aprendemos nos
bancos da escola que a Grécia é o berço da Filosofia que deu origem à chamada
Civilização Ocidental, baseada no conhecimento, na competência e no poder da
razão, defensora do sucesso assente no mérito, no saber e na iniciativa privada.
A História da Filosofia assinala um conjunto de filósofos gregos como os
maiores vultos do pensamento que traçaram a matriz da nossa cultura.
Nunca fui à
Grécia. Os livros referem um país montanhoso, pobre, com uma baixa percentagem
de solo arável, de clima quente e seco ou temperado, próprio da região
mediterrânica, com muito sol, mar e praias de sonho.
Friedrich
Nietzsche, filósofo alemão do séc. XIX (1844-1900), estudioso da cultura
grega, considerava que os gregos eram infelizes e por isso criaram a mitologia
e a arte trágica para aliviar a angústia
da existência. Duvido muito. Não sei se os gregos se sentiam mais infelizes e
angustiados do que os outros povos. Toda a humanidade, desde sempre, se
questionou e se questiona pelo sentido da existência. Talvez os gregos sentissem
esse problema com mais intensidade, nos primórdios da civilização, por viverem
no “paraíso” mas se sentirem no “inferno” porque tinham e têm um clima
excelente, um sol brilhante e esplendoroso, um céu limpo e infinito, numa terra
rodeada de águas cristalinas, mas não tinham, ainda, sabedoria suficiente para
explicar a natureza, esse mundo tão belo, nem conhecimento (científico) que
permitisse curar as doenças e suavizar o sofrimento e a fragilidade humana.
Como é que um ser fraco, doente (como o próprio Nietzsche) e de vida efémera
poderia gozar os prazeres da vida e da natureza sempre bela e brilhante? À
máxima luz e beleza exterior do clima grego, imensamente claro e radiante,
opunha-se, no espírito, uma enorme escuridão interior de ignorância, de
angústia e de impotência. (a primeira questão da filosofia grega foi,
precisamente: “o que é isto, a natureza?” – “Τί εστί φύσεος;”)
Esta oposição
entre a luz e as trevas, a felicidade e a angústia ou o bem-estar e o
sofrimento é uma questão essencial da existência humana desde o tempo
primordial bíblico dos “Génesis” que apresenta algum paralelismo na maneira de
ser dos povos da região mediterrânica, mais alegre e permissiva mas desleixada
e pobre, e na dos povos do norte da Europa mais sombria e triste mas também mais
exigente, rigorosa e rica.
Os dados
biográficos de Nietzsche
dão-nos uma imagem semelhante: depois da morte do pai, aos cinco anos,
Nietzsche passou a viver num ambiente marcadamente feminino na companhia da
mãe, da irmã, da avó e três tias, rodeado de mimo (o sol radiante da infância,
o aconchego do paraíso). O miúdo efeminado não ficou, com certeza, bem
preparado para enfrentar, na vida adulta, a dureza dos problemas (o trabalho, a
doença e a responsabilidade: os espinhos e abrolhos fora do paraíso), de forma
viril. Muito menos para seguir a vida religiosa (pastor protestante), de acordo
com os desejos de sua mãe. Sendo uma pessoa extremamente emotiva e dada à
sensualidade, sentia, por outro lado, uma grande angústia (e infelicidade) por
causa da saúde frágil, debilitada pela sífilis,
que lhe causava muitos dissabores.
Hoje a Grécia é
o protótipo da crise, tal como antes, o da civilização. Que diria Nietzsche
hoje? Que o problema é a angústia da existência como na Antiguidade? Que a vida
é um absurdo?
Que é preciso restaurar o espírito da tragédia,
como solução, apelando à
arte apolínea e dionisíaca?
Não deixa de ser
estranho que Nietzsche tenha encontrado a solução para essa angústia de
existência, que era, segundo ele, a causa da crise social e cultural do seu
tempo, na antiga Tragédia Grega de Ésquilo (525/524 a. C.-456/455 a. C.) e
Sófocles (497/496 a. C.-406/405 a. C.), a mais de vinte séculos de distância.
Não só não encontrou no seu tempo qualquer solução como ainda considerou que
toda a cultura ocidental desde Sócrates (469-399 a. C.) e Platão (428/427-348/347)
até então era negativa e decadente. Esta fuga para um passado longínquo, para alguns,
uma marca do Romantismo, mais parece uma infantilidade, um sinal de alienação e
de incapacidade em enfrentar os reais problemas da vida.
A crise actual é,
apenas, uma simples questão de angústia de existência? Na minha opinião é,
fundamentalmente, um problema moral e de valores. Não é um problema económico e
financeiro. Nunca a humanidade teve tanta capacidade de produzir riqueza como
hoje. Não será, afinal esta crise, o retrato fiel da vida e da filosofia de
Nietzsche?
Longe de ser uma
solução para a crise, a filosofia do pessimismo trágico, da embriaguez
dionisíaca, da crítica à moral, da rejeição do Cristianismo, do irracionalismo,
etc., não é antes a causa da crise, o reflexo do facilitismo, da impunidade, da
corrupção e da imoralidade da generalidade dos cidadãos e de grande parte da
classe política que tem marcado as grandes opções, as estratégias e os destinos
dos povos nos últimos anos e nos colocaram no inferno?
Aquilo a que
Nietzsche chama a embriaguez dionisíaca não é mais do que a apologia da
alienação e da irresponsabilidade. Para Nietzsche a vida não tem qualquer
sentido, é um completo absurdo. Nietzsche não reconhece valores, ideais ou
razões que motivem e justifiquem a existência. “Melhor fora não ter nascido” –
diz. Se a vida não tem explicação nem pode ser minimamente aceitável, qual é a
atitude a tomar? Só pode ser, segundo ele a criação artística na perspectiva da
música, a aceitação da vida pela óptica da arte, única forma de atingir a
verdadeira realidade (a metafísica do artista). No fundo, Nietzsche concorda,
em absoluto, com o que diz o povo: “Quem canta seus males espanta”. Se a
tradição filosófica sempre definiu o ser humano como animal racional, Nietzsche
despreza completamente a parte racional e valoriza, somente, a parte animal, o
corpo, a sensibilidade, a estética. Por isso, tudo o que seja derivado da razão,
como normas morais, prescrições, verticalidade, imposições, rigor, etc., é
completamente rejeitado e considerado decadente, negativo, anti-valor,
retrógrado, etc. Só o agradável é sinónimo de bom, tal como o sensível e,
principalmente, o sensual e todo o encantamento provocado pela música, a música
popular, que faça esquecer o horror, que é existir. Se a existência é um
contínuo suplício é preciso suavizá-la com alguma doçura que esteja ao alcance
do corpo e da sensibilidade. Esse bálsamo, segundo Nietzsche, está na arte
trágica que resulta da interferência de duas forças instintivas opostas,
simbolizadas pelas figuras míticas de Apolo e Dionísio. Só a arte trágica
permite “dizer sim à vida” apesar do absurdo. Apolo é o deus das artes
plásticas, das imagens belas, do sonho, da imaginação, da harmonia, etc.,
enquanto Dionísio é o deus da embriaguez, do desmedido, do caótico e do uno (do
esquecimento de si). Nietzsche, dotado e apaixonado pela música, pela fantasia
e pela arte, mas, ao mesmo tempo, aterrorizado pela vida porque só lhe dá
angústia e sofrimento, só encontra uma solução: agarrar-se ao piano, tocar e cantar
até ao delírio; beber, fumar e excitar-se para lá dos limites, até se esquecer
que existe. Temos aqui uma imagem do alienado compulsivo, do existencialista
primário, sem projectos e sem consciência para não sentir angústia.
Os “hippies” da
década de 60 do séc. passado são a imagem de Nietzsche num contexto mais alegre
e feliz. Enquanto Nietzsche vivia numa angústia atroz e implacável, minado pela
sífilis, sem uma réstia de esperança, rejeitando tudo o que fosse produto da
razão, os dionisíacos do séc. XX já sentem os efeitos da felicidade industrial,
do poder e do conforto da tecnologia, da medicina, do desenvolvimento e da
cultura de massas proporcionado pela Ciência que Nietzsche tanto abominava. Estes
dionisíacos amadores do séc. XX sentiam-se uns felizardos, livres como pássaros
fora da gaiola, adolescentes em férias, sem deveres, sem trabalho, sem horário,
sem responsabilidades porque os pais lhes pagavam a mesada, a economia era
próspera e havia quem produzisse para que eles gozassem e satisfizessem os
apetites e os instintos, livres de todas as angústias, de doenças
desconfortáveis e de outras situações resolvidas pela pílula e pelos
contraceptivos.
Nos nossos dias
já não temos os “hippies” ao sabor do vento, a defender o amor livre (make love, not war) no meio da selva, a
protestar contra a guerra do Vietname, a deambular numa autocaravana de mil
cores, sem destino, de cabelos compridos e barba desgrenhada, a cantar e a tocar
viola. Em vez disso, temos os “hippies” refinados e profissionais com aparência
de gente séria, que não têm só “um amor e uma cabana” mas se instalam em resorts de luxo ou condomínios bem
fechados na companhia de beldades de eleição, em orgias
delirantes e diabólicas. Nos intervalos, passada a ressaca, estes
dionisíacos de pacotilha ocupam as cadeiras do poder, na política, na economia
etc., e prometem o bem estar, o progressismo e a felicidade, mas só sabem criar
a desordem,
a crise e o caos. Continuam a ser como adolescentes em férias, ingénuos, e
incompetentes que vivem como parasitas do povo a quem prometem a igualdade e a
democracia sexual, como a coisa mais importante da vida, sob todas as formas,
estilos e géneros, com um ar grave e sério, como quem comanda os supremos
destinos dos povos de forma honesta, com direito a todas as mordomias e
privilégios.
É este o retrato
da generalidade da classe política europeia, sem princípios, sem projectos e
sem responsabilidades, que não sabe o que é trabalho árduo, porque nunca fez
nada na vida e passou todo o tempo, desde a adolescência, em jogos de política
partidária, nos corredores do poder, aproveitando os intervalos das férias, das
farras e das diversões. O importante é gozar, aproveitar a vida e nada de
imposições, de normas, etc. o que interessa é em ganhar votos a todo o custo
independentemente de se cumprirem ou não as promessas e de se terem ou não as contas
em dia. O mundo atolado em dívidas é a imagem desta perspetiva irracional da
existência. Quem vier depois que pague. É esta a classe política que tem
conduzido os destinos dos povos, nas últimas décadas, para o descalabro. A
Grécia é o protótipo deste caos político e económico, segundo os ecos que de lá
vêm, onde a corrupção e a irresponsabilidade não têm limites. Parece-me o
exemplo mais perfeito do existencialismo de Nietzsche. Os países mais pobres e
sem recursos são as primeiras vítimas.
Estes “hippies”
refinados já não precisam da arte apolíneo-dionisíaca para nada, de recorrer à
imaginação, e às imagens belas. Eles têm acesso directo à imagem e ao corpo, ao
delírio e à excitação sem limites. A angústia (qual angústia?) é para o povo
que tem que suportar a enorme carga de impostos, a austeridade e a penúria
provocadas pelo desmando e incompetência desta classe de agiotas, abutres e
sanguessugas.
A matriz da
racionalidade, da competência, do rigor e da exigência que estava na base da civilização
ocidental, desde a antiguidade, deu lugar à matriz da irracionalidade, do
instinto, da volúpia e da irresponsabilidade. Era, precisamente, esta a tese
fundamental de Nietzsche: a causa da crise do seu tempo era a filosofia do
racionalismo socrático-platónico que tinha dominado a cultura ocidental desde o
séc. V a. C. sob a forma do “optimismo teórico”, “socratismo estético” ou “intelectualismo
ético” que confiava na razão e no indivíduo (princípio da individuação) e criava
a ilusão da felicidade. Daí a necessidade de instaurar o espírito da tragédia
grega, a arte apolíneo-dionisíaca e a magia do instinto como uma pulsão natural
libertadora.
Na senda do dionisíaco,
o reino da formiga deu lugar ao da cigarra. Daí a situação existencial de
crise, em que vivemos, marcada pelo desemprego, pela ausência de valores, pelo
materialismo hedonista, pelo lucro fácil, pela recessão e pela falência diária
de empresas. É o retrato fiel da embriaguez dionisíaca colectiva. A política e
a economia europeias são a imagem destes “valores” dominantes: a velha Europa é
como uma prostituta falida, em fim de carreira, usada, gasta, velha, vivida,
infectada e sem poder de sedução, que quer continuar a dominar o prostíbulo à
custa de grandes e avultados esforços de maquilhagem, do “milagre” da cosmética
e de grandes operações plásticas. A sua improdutividade reflecte-se na ausência
de futuro, na esterilidade das soluções e na impotência generalizada para
renovar a vida, as instituições e a credibilidade. Neste circo de “Sexo, drogas
e rock & rol” em que vivemos, as tentativas de reanimação, as grandes
“injecções” dos milhões do FMI, do BCE e de outras entidades, supostamente
poderosas, são como grandes doses de viagra que já não produzem efeito, devido
à astenia generalizada, à desnutrição e à podridão que ameaça todo o organismo.
Temos diante de nós a imagem de Nietzsche, no fim da vida, doente, fraco e
demente, agarrado a um cavalo prostrado na rua, maltratado, moribundo e sem
forças, incapaz de socorrer e de reanimar. Também, hoje, assistimos,
hipocritamente, a grandes preocupações ambientais em cimeiras mundiais,
jornadas e acções de defesa dos animais e das plantas, enquanto o ser humano é
desprotegido desde o nascimento, nos seus direitos e na sua dignidade ao longo
da sua existência.
Estamos a chegar
ao verdadeiro niilismo, ao zero absoluto de tudo o que pode sustentar a vida. É
necessária uma verdadeira Vontade de Poder. Está na hora de desencadear o
Eterno Retorno para que uma nova civilização renasça, como Fénix, das cinzas do
inferno em que temos vivido. Chegou a hora de governar o mundo com sabedoria,
cultura, conhecimento e com ética que permita ao ser humano tomar consciência
de que o Éden é impossível, mas desejável dentro dos nossos limites, mas onde
sempre estará o fruto proibido.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Merkel, incrível!
Conta-se que, depois de uma
noite de boémia, nas ruas de Lisboa, Bocage foi abordado, na penumbra da noite,
por um suposto meliante que o interpelou de rompante: “quem és, donde vens e
para onde vais?”. Bocage respondeu prontamente: “Sou Bocage, venho do Nicola,
vou para o outro mundo se disparas a pistola”. Não sei se há meliantes destes
ao virar da esquina, numa rua de Berlim. Se houver não sei o que será da
senhora Angela Merkel. Provavelmente não saberá responder e poderemos colocar
várias hipóteses sobre o que fará o suposto meliante.
Saber localizar num mapa a capital do seu próprio país é o que se exige, hoje a qualquer cidadão, seja de
que país for. Ninguém é obrigado a saber. E ninguém ficaria espantado se isso
acontecesse com um vulgar cidadão, analfabeto e incógnito. E se acontecesse com
um professor? Um autarca? Um primeiro-ministro? Uma chanceler?
Na minha terra sempre se
considerou que, se alguém não sabe de que terra é, isso significa o maior grau de
ignorância que é possível admitir. É qualquer coisa que não se admite nem ao
maior analfabeto. Toda a gente sabe ou deve saber de que terra é e onde fica
situada. Se não sabe, isso significa uma total desorientação, que não sabe o
que anda a fazer no mundo, que não tem projectos e que não faz distinção entre
passado, presente e futuro.
Causa-me
enorme espanto que a senhora Angela Merkel coloque Berlim, a capital do seu
país, em território russo. Se não revela competências básicas como esta, o que
acontecerá com as competências fundamentais que se exigem a quem comanda os
destinos de um dos países mais poderosos da Europa e do mundo? Não será por
isso que estamos todos em crise?
terça-feira, 24 de abril de 2012
O “25 de Abril” acabou
Aqueles que se
consideravam donos do 25 de Abril já atiraram a toalha ao chão, desistiram,
negaram-se a continuar. São a prova de que dos fracos não reza a História e que
o que fizeram foi um engano, um erro e um gesto puramente privado, em benefício
próprio, sem valor patriótico. Onde estão os “chamados ideais de Abril?” onde
estão as “conquistas de Abril?” Como é possível que os protagonistas deste acto
heroico não acreditem no que fizeram?
Que ideais eram
esses que depressa se apagaram? Que conquistas foram essas que depressa se
perderam? Que feitos heroicos ficarão para as gerações futuras se os seus
autores os desprezaram? Agora que esvaziaram os cofres de ouro, a pesada herança,
e surgiram as dificuldades, desertam como traidores?
Que democratas
são estes, cheios de privilégios e mordomias à custa do povo que foi enganado, traído
e abandonado e que deixaram na miséria? Onde está a prometida igualdade, o pão, a paz, a
saúde e a educação?
Há quem queira
acabar com feriados para vencer a crise, por que não acabar já com o 25 de
Abril se os seus promotores directos já não lhe dão valor nenhum, as
eleições são sempre uma vitória da abstenção e a classe política, incompetente, explora
o povo mais do que nunca?
domingo, 1 de abril de 2012
Em causa o presidente do STJ
Parecer do CSMP sobre o exercício da Justiça em Portugal
O Conselho Superior do Ministério Público, reunido extraordinariamente, emitiu um parecer sobre o combate ao crime e o exercício da Justiça em Portugal no sentido de se proceder a uma mudança significativa em todas as instâncias judiciais, através de providências legislativas de modo a obter uma maior eficiência da Justiça. Refere o CSMP, em nota publicada hoje na imprensa, que a situação grave em que vivemos actualmente configura um verdadeiro estado de sítio e de calamidade pública pelo que a Justiça não pode continuar alheia aos graves problemas que afectam os cidadãos portugueses. Entre as providências legislativas de maior relevo está a alteração aos estatutos e competência do presidente do Supremo tribunal de Justiça cujas decisões, em matéria de fiscalização dos procuradores do ministério público a nível nacional, deveriam ser escrutinadas por um órgão colegial para afastar alegadas tendências de parcialidade e favorecimento.
Também a ordem dos advogados emitiu um parecer no sentido de se apurar a legalidade e a competência do presidente do Supremo Tribunal quando estão em causa investigações que impliquem figuras de relevo de órgãos de soberania como foi o caso do alegado atentado contra o estado de direito, atribuído pelo ministério público, ao primeiro ministro cessante em cujo processo foi ordenado que se destruíssem meios importantes de prova, legalmente autorizados.
terça-feira, 6 de março de 2012
Aborto pós parto?
E esta? “Matar um recém-nascido é um acto moralmente idêntico a praticar um aborto”, nos casos em que o aborto é legal, segundo o artigo de Francesca Minerva, formada em Filosofia pela Universidade de Pisa (Itália) com uma dissertação sobre Bioética no Journal of Medical Ethics. Seria caso para dizermos que “isto nem lembra ao diabo”, mas não é bem assim, é uma questão muito antiga. Se o argumento é porque um recém-nascido não tem consciência de que existe bem poderíamos aplicar a receita a inúmeras situações com toda a propriedade. A começar por certos políticos que não têm consciência de nada, nem do que são, nem do que fazem. São uns autênticos abortos vivos. Grande parte da classe política que nos tem governado há algumas décadas seria completamente eliminada, em cerca de 90%. Que grande limpeza!
A seguir viriam todos os magistrados que não fazem nada, que não fazem andar a justiça, que só parasitam o povo, que destroem o país, que mandam destruir escutas legalmente autorizadas, enfim, que ocupam um cargo só para seu bem pessoal e egoísta. Mais uma grande limpeza!
Este argumento a favor dos abortos pós parto refere ainda que além de falta de consciência do recém nascido, este não tem ainda projectos de vida, sonhos e esperanças para o futuro e por isso, poderia ser eliminado sem problemas. E os deficientes mentais têm alguma consciência, algum projecto, algum sonho? Seria um enorme alívio para todas as pessoas que se sacrificam a tratar deles, todos os dias, além de se poder reduzir enormemente o orçamento e a dívida pública. Mais uma limpeza!
Mas se os deficientes não sabem que existem e não têm projectos, que dizer daqueles que têm maus projectos de vida: os toxicodependentes, cleptomaníacos e os criminosos em geral? Um toxicodependente é um alienado compulsivo, passa cerca de 90% da sua vida sem saber quem é, não tem projectos ou se os tem não tem capacidade de os concretizar, os criminosos em geral roubam, matam e destroem vidas com projectos bem delineados e por isso haverá razões mais que suficientes para os considerar inúteis e prejudiciais, como tal, deveriam ser abortados. Para quê estar a gastar dinheiro com eles em recuperação e em prisões, com vista a uma integração social? Mais uma grande limpeza!
Os velhos, que já perderam a memória, que já não sabem o que estão a fazer no mundo, seriam também eliminados com o aborto pós parto, como um produto que já está fora do prazo de validade. Que alívio não seria para todos os lares de terceira idade, centros de dia e asilos do país? Que grande limpeza!
Não sei se restaria alguém que não tivesse sido já apanhado pelo aborto pós parto. Um mundo sem crianças não teria sentido, nem futuro, por isso, seria preferível aplicar o aborto a toda a gente. Seria uma forma de acabar com o mundo de forma consciente, segundo um projecto, obedecendo a um sonho, talvez, debaixo dos torrões!
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