Causa-me
enorme espanto que a senhora Angela Merkel coloque Berlim, a capital do seu
país, em território russo. Se não revela competências básicas como esta, o que
acontecerá com as competências fundamentais que se exigem a quem comanda os
destinos de um dos países mais poderosos da Europa e do mundo? Não será por
isso que estamos todos em crise?
quarta-feira, 30 de maio de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
O “25 de Abril” acabou
Aqueles que se
consideravam donos do 25 de Abril já atiraram a toalha ao chão, desistiram,
negaram-se a continuar. São a prova de que dos fracos não reza a História e que
o que fizeram foi um engano, um erro e um gesto puramente privado, em benefício
próprio, sem valor patriótico. Onde estão os “chamados ideais de Abril?” onde
estão as “conquistas de Abril?” Como é possível que os protagonistas deste acto
heroico não acreditem no que fizeram?
Que ideais eram
esses que depressa se apagaram? Que conquistas foram essas que depressa se
perderam? Que feitos heroicos ficarão para as gerações futuras se os seus
autores os desprezaram? Agora que esvaziaram os cofres de ouro, a pesada herança,
e surgiram as dificuldades, desertam como traidores?
Que democratas
são estes, cheios de privilégios e mordomias à custa do povo que foi enganado, traído
e abandonado e que deixaram na miséria? Onde está a prometida igualdade, o pão, a paz, a
saúde e a educação?
Há quem queira
acabar com feriados para vencer a crise, por que não acabar já com o 25 de
Abril se os seus promotores directos já não lhe dão valor nenhum, as
eleições são sempre uma vitória da abstenção e a classe política, incompetente, explora
o povo mais do que nunca?
domingo, 1 de abril de 2012
Em causa o presidente do STJ
Parecer do CSMP sobre o exercício da Justiça em Portugal
O Conselho Superior do Ministério Público, reunido extraordinariamente, emitiu um parecer sobre o combate ao crime e o exercício da Justiça em Portugal no sentido de se proceder a uma mudança significativa em todas as instâncias judiciais, através de providências legislativas de modo a obter uma maior eficiência da Justiça. Refere o CSMP, em nota publicada hoje na imprensa, que a situação grave em que vivemos actualmente configura um verdadeiro estado de sítio e de calamidade pública pelo que a Justiça não pode continuar alheia aos graves problemas que afectam os cidadãos portugueses. Entre as providências legislativas de maior relevo está a alteração aos estatutos e competência do presidente do Supremo tribunal de Justiça cujas decisões, em matéria de fiscalização dos procuradores do ministério público a nível nacional, deveriam ser escrutinadas por um órgão colegial para afastar alegadas tendências de parcialidade e favorecimento.
Também a ordem dos advogados emitiu um parecer no sentido de se apurar a legalidade e a competência do presidente do Supremo Tribunal quando estão em causa investigações que impliquem figuras de relevo de órgãos de soberania como foi o caso do alegado atentado contra o estado de direito, atribuído pelo ministério público, ao primeiro ministro cessante em cujo processo foi ordenado que se destruíssem meios importantes de prova, legalmente autorizados.
terça-feira, 6 de março de 2012
Aborto pós parto?
E esta? “Matar um recém-nascido é um acto moralmente idêntico a praticar um aborto”, nos casos em que o aborto é legal, segundo o artigo de Francesca Minerva, formada em Filosofia pela Universidade de Pisa (Itália) com uma dissertação sobre Bioética no Journal of Medical Ethics. Seria caso para dizermos que “isto nem lembra ao diabo”, mas não é bem assim, é uma questão muito antiga. Se o argumento é porque um recém-nascido não tem consciência de que existe bem poderíamos aplicar a receita a inúmeras situações com toda a propriedade. A começar por certos políticos que não têm consciência de nada, nem do que são, nem do que fazem. São uns autênticos abortos vivos. Grande parte da classe política que nos tem governado há algumas décadas seria completamente eliminada, em cerca de 90%. Que grande limpeza!
A seguir viriam todos os magistrados que não fazem nada, que não fazem andar a justiça, que só parasitam o povo, que destroem o país, que mandam destruir escutas legalmente autorizadas, enfim, que ocupam um cargo só para seu bem pessoal e egoísta. Mais uma grande limpeza!
Este argumento a favor dos abortos pós parto refere ainda que além de falta de consciência do recém nascido, este não tem ainda projectos de vida, sonhos e esperanças para o futuro e por isso, poderia ser eliminado sem problemas. E os deficientes mentais têm alguma consciência, algum projecto, algum sonho? Seria um enorme alívio para todas as pessoas que se sacrificam a tratar deles, todos os dias, além de se poder reduzir enormemente o orçamento e a dívida pública. Mais uma limpeza!
Mas se os deficientes não sabem que existem e não têm projectos, que dizer daqueles que têm maus projectos de vida: os toxicodependentes, cleptomaníacos e os criminosos em geral? Um toxicodependente é um alienado compulsivo, passa cerca de 90% da sua vida sem saber quem é, não tem projectos ou se os tem não tem capacidade de os concretizar, os criminosos em geral roubam, matam e destroem vidas com projectos bem delineados e por isso haverá razões mais que suficientes para os considerar inúteis e prejudiciais, como tal, deveriam ser abortados. Para quê estar a gastar dinheiro com eles em recuperação e em prisões, com vista a uma integração social? Mais uma grande limpeza!
Os velhos, que já perderam a memória, que já não sabem o que estão a fazer no mundo, seriam também eliminados com o aborto pós parto, como um produto que já está fora do prazo de validade. Que alívio não seria para todos os lares de terceira idade, centros de dia e asilos do país? Que grande limpeza!
Não sei se restaria alguém que não tivesse sido já apanhado pelo aborto pós parto. Um mundo sem crianças não teria sentido, nem futuro, por isso, seria preferível aplicar o aborto a toda a gente. Seria uma forma de acabar com o mundo de forma consciente, segundo um projecto, obedecendo a um sonho, talvez, debaixo dos torrões!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Alertas da hipocrisia progressista
O líder do principal partido da oposição lembrou-se de descer ao povoado para observar aquilo que já, há muito, está visto: “o interior está a morrer e é preciso tomar medidas para que isso não aconteça” – disse. É preciso sair de Lisboa, do conforto do gabinete, para constatar uma coisa destas?
Não é só o interior que está a morrer, é o país inteiro! Quem é que pôs o país a morrer, senhor líder do PS? Quem é que pôs a lei da morte por cima da lei da vida, em Portugal? O senhor já não se lembra? Quem é que aprovou a lei do aborto, em Portugal? Que razões tem o senhor, agora, para se queixar? Esse pretenso sinal de alerta e de revolta não passa de um estrondoso gesto de comovida ingenuidade e da mais vil hipocrisia. Aborto não é o mesmo que morte?
Se reparou, também, nas paisagens do nosso lindo, mas desgraçado país, os pinhais estão a morrer com o nemátodo. O aborto faz, precisamente, o mesmo efeito. Uma criança que não nasce não vai precisar da madeira de pinho para lhe fazer o berço, os móveis do quarto, da cozinha, da sala, etc., nem mesmo, das tábuas para o caixão! O aborto é como o nemátodo do pinheiro: mata tudo à volta.
Para quê construir túneis do Marão, estradas, auto estradas, manter fábricas abertas e serviços públicos? Para as moscas? Só para dar emprego aos que ainda não se reformaram ou não apanharam o nemátodo para serem cortados à vida?
Para a próxima vez não se queixe de que o país está a morrer, não atire as culpas para cima dos outros, faça um “mea culpa” e veja que o Partido Socialista é o principal responsável por esta calamidade. O nemátodo apareceu contra a nossa vontade, ninguém, que se saiba, introduziu tal peste nos nossos pinheiros e o governo, logo, tratou de pôr em prática medidas para a eliminar. Mas com o aborto tudo foi diferente: foi o governo, a entidade soberana do país que introduziu esta calamidade no meio de nós, de forma voluntária, deliberada e oficial. Não foi um criminoso, pela calada da noite. Foi o governo do Partido Socialista. Se o nemátodo tivesse sido introduzido por algum criminoso, o governo faria tudo para o prender e castigar. O nemátodo mata apenas árvores. O aborto mata pessoas que precisam das árvores, das casas, das fábricas, etc. se não houver pessoas, ninguém vai precisar das árvores, das casas, das fábricas, etc., porque o mais importante do mundo são as crianças, as pessoas, os seres humanos. Este é um crime muito maior do que matar apenas árvores e ninguém se lembrou de pôr os autores deste hediondo crime atrás das grades. E ainda o defenderam como um sinal de progressismo e de modernidade.
Toda a gente condenou o holocausto nazi do séc. XX associado ao ódio e à cruel matança dos inocentes. Hoje assistimos a um novo holocausto, a um novo ódio e a uma nova matança de inocentes, tudo aprovado “democrática e oficialmente” por novos “Hitlers”, mascarados de gente honesta. Senhor líder do Partido Socialista, não critique, não reclame, não se queixe, fique caladinho, não diga nada, porque se o país está a morrer – o que o senhor não quer aceitar – quem decretou a morte foi o governo do seu partido que o senhor apoiou e apoia, o senhor é co-responsável por isso. Se o aborto é o crime que está a matar o país não é difícil encontrar os culpados. Enquanto não for revogada esta lei que manda matar não é possível ter esperança num futuro melhor.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Projecto de lei contra a seca
"Alguns partidos da oposição apresentaram um projecto de lei contra esta seca severa provocada pela situação meteorológica que vivemos actualmente, para ser votado na Assembleia da República, com carácter de urgência, devido à grave calamidade pública provocada pelo Verão reacionário que se instalou em pleno Inverno, em Portugal. Este projecto de lei vem na sequência de um outro sobre a adopção por casais homossexuais. Afirmam os promotores deste documento que os agricultores têm direito a que os seus campos sejam verdes, que as plantas cresçam, que as ovelhas tenham pastagens, sempre em abundância, e que os deputados devem reagir a esta atitude reaccionária do anticiclone dos Açores que não permite que chova em Portugal, há mais de dois meses. Propõem que a chuva caia em doses controladas e de acordo com as necessidades de cada região. O anticiclone dos Açores deve afastar-se para proporcionar a chuva abundante nas hortas e jardins, nos pomares e nas albufeiras, mas quanto às praias do Algarve, por ser uma zona de turismo, a chuva deve limpar apenas o pó das folhas das árvores e dos passeios. Nas grandes cidades e outros locais dados a orgias e bacanais não convém chuva em excesso e o calor deve continuar. Tal como os casais homossexuais, que têm direito a ter um filho e a serem pais, porque está em causa a defesa do superior interesse do adoptante, também terão direito a que o anticiclone do Açores não seja homofóbico. Muitos deputados abstiveram-se, outros votaram contra e outros, ainda, desmaiaram quando apresentaram uma declaração de voto para manifestar o seu apoio incondicional a esta medida revolucionária do Parlamento, já que o governo só se preocupa com medidas de austeridade, em obediência às normas da Troica deixando os homossexuais portugueses abaixo do limiar da sexualidade livre, satisfatória e reprodutiva. Os casais homossexuais devem ter direito a adoptar os filhos dos outros porque também têm direito a parecer uma família normal, têm cão, gato e periquito como os outros e não devem ser discriminados, porque o superior interesse egoísta deve sobrepor-se à dignidade da criança inocente que não teve culpa de ter nascido, nem tem voto na matéria. Alguns deputados referiram que esta iniciativa legislativa não tem pés nem cabeça, que devemos respeitar a natureza, que não temos o poder de lutar contra ela e que temos que acreditar que a chuva há-de vir, em breve. Logo se fez ouvir uma voz, com um ar de planta de estufa, do alto do seu pedestal, ripostando que a chuva não é uma questão de fé, que o governo devia solicitar as ajudas europeias para que os agricultores e criadores de gado pudessem subornar o S. Pedro. Só assim o governo poderá criar um plano de emprego e de desenvolvimento para fixar populações no interior despovoado, mesmo que seja só para entreter e gastar o subsídio e que o trabalho vá para as ortigas. O que interessa é ocupar os jovens desempregados, coitadinhos, que tiveram bom aproveitamento nas aulas de educação sexual, saudável e reprodutiva e não têm nenhumas perspectivas de futuro, incluindo os homossexuais.”
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
A intolerância do governo/Carnaval
Para dar a ideia de rigor, trabalho, competência e vontade de resolver a crise, o governo decidiu não dar tolerância de ponto aos funcionários públicos, no dia de Carnaval. Foi, quanto a mim, uma medida completamente errada. É daquelas em que “sai o tiro pela culatra”. Não bastava ter eliminado já uns quantos feriados civis e religiosos, impor austeridade a torto e a direito e agora ainda se armar em “desmancha-prazeres” tornando-se mais uma força de bloqueio aos valores e tradições culturais e sociais deste país! O Carnaval é, diga-se a verdade, um feriado que não é carne nem é peixe, não está declarado, explicitamente, como feriado assumido. Sempre foi tradição suspender o trabalho para dar lugar à folia mas, sempre com aquele ar do papá para o menino: “Vá lá, hoje portaste-te bem vai lá brincar um bocadinho com os teus amigos!”, enquanto os outros feriados são, indiscutivelmente, dias de folga, embora, ironicamente, talvez, menos participados.
O Carnaval faz parte do calendário religioso que só faz sentido no contexto das outras vivências, compromissos e acontecimentos marcantes da vida de um cristão. Toda a gente sabe que o Carnaval é um dia de festa, de excesso, de folia e de gozo, mas no dia seguinte começa a Quaresma, um tempo que deve ser de penitência, oração, recolhimento e meditação, em que se celebra a Paixão e morte de Cristo, com o objectivo de chegar à conversão e emenda de vida (deixar a vida de pecado). Culmina com a Páscoa e ressurreição, o acontecimento mais importante para um cristão.
Eu gostaria de saber quantos foliões, de norte a sul do país, se apresentam na igreja, na quarta-feira de cinzas, vergando-se sob o peso dos pecados, marcando a testa com a cinza sagrada, em sinal da humilde condição, tomando consciência de que o corpo que, antes se entregou à folia sem limites, não passa de um pouco de cinza, terra, pó e nada. Será que todos e todas as que desfilam nos carnavais de todo o mundo se entregam no dia seguinte à penitência, abstendo-se de certos prazeres mundanos, mortificando o corpo e sofrendo privações? Duvido muito.
Se é verdade que os portugueses são, por tradição e maioritariamente, cristãos, católicos apostólicos romanos, não é também verdade que, hoje, a maior parte não vai à missa e pouco ou nada faz segundo os preceitos da igreja? Porquê, afinal, tanta polémica com a intolerância do governo em relação ao Carnaval? Afinal, o governo agiu de forma lógica e coerente. O primeiro-ministro terá pensado: “os portugueses não trabalham, não ajudam a resolver a crise! Estou-me, eu aqui, a esfalfar para quê?! Estão muito mal habituados! Só querem greves e dinheiro ao fim do mês?! São uma cambada de ateus, que nem nas suas orações posso confiar para resolver o problema do défice! Vou dar tolerância de ponto, o tanas! Vão todos trabalhar, e ‘mai nada’!”
Além disso, o Carnaval é para os verdadeiros católicos, os que têm muitos pecados, mas são solidários com a Paixão de Cristo e acreditam na ressurreição como a libertação da morte e do mal. (Lembram-se do filme? Eu teria morrido logo à primeira chicotada!)
Não deixa de ser estranho que um certo grupo de deputados, assumidamente ateus ou agnósticos, presumo, em função das teses que defendem, venham agora propor que o Carnaval seja incluído, definitivamente, no calendário dos feriados oficiais obrigatórios. Alegam que, até a GNR organiza uma operação especial de vigilância e controlo do trânsito como o faz no Natal, na Páscoa ou noutras datas importantes ao longo do ano. Por outro lado dizem que o Carnaval é uma tradição cultural portuguesa, contribui para o turismo e para a economia e não faz sentido metade do país passar o dia a divertir-se e a outra a metade a trabalhar. Pois, não se lembraram de dizer que o Carnaval é uma festa religiosa e retrata a condição humana crente e pecadora. São dos tais que no dia seguinte não sujam a testa com cinza.
Não passa de um mero oportunismo político: querem mais um feriado para comemorar uma festa em que não acreditam e não lhes diz nada, só para ganharem mais votos e roubarem popularidade ao primeiro ministro.
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