segunda-feira, 14 de março de 2011

Carta aberta ao senhor primeiro ministro

Senhor primeiro-ministro,
Dizia o nosso maior poeta que “um fraco rei faz a fraca a forte gente”. Tinha e tem toda a razão. Esta tão badalada crise que o senhor ignorou, negou e desvalorizou inúmeras vezes é o reflexo de opções políticas erradas, de facilitismo e de incompetência. Na minha opinião, V. Exa. é o maior responsável pela situação difícil em que nos encontramos e não vale a pena atirar as culpas para cima dos outros. A dívida soberana é o resultado de uma incompetência soberana.
Têm-nos chegado por estes dias imagens dramáticas do tsunami que devastou algumas zonas costeiras do Japão. O seu governo é um enorme terramoto, desde que entrou em funções, cujo tsunami tem destruído o país, talvez de forma imperceptível para alguns, mas que salta, agora, à vista de todos e se prolongará por muito mais tempo do que o que nos chega em imagens televisivas com a agravante de não ficar apenas pela periferia mas se entranhar por todo o lado devastando não só as vidas presentes mas também a dos que estão para nascer. A necessidade compulsiva de pedir dinheiro emprestado, quase diariamente, que eufemísticamente, lhe chamam agora “vender dívida”, é o diagnóstico mais grave do país quase em estado de coma, ligado às “máquinas” e aos “tubos de soro” dos mercados e dos países que vão injectando (emprestando) dinheiro para evitar a declaração de óbito. Economicamente perdemos a independência nacional, não existimos como nação. Fomos vendidos.
Com que cara nos vem pedir sacrifícios e austeridade quando ainda há tão pouco tempo prometia com toda a convicção, nas legislativas de 2009, no meio de risos e aplausos em ambiente festivo, “PS – Avançar Portugal”, “PS – Força e confiança”, “PS Determinação – Avançar Portugal” Já se esqueceu de todas estas promessas: Progressismo? Felicidade? Bem-estar? Benefícios, apoios, abonos? Estado social? Onde estão todas essas benesses?
Basta! O senhor primeiro-ministro não tem condições para continuar. Demita-se! Obviamente! O povo tem o direito e o dever de exigir todas as responsabilidades a V. Exa. Não fuja às responsabilidades e não fuja do país. O povo exige também que sejam esclarecidos todos os “casos” a que o seu nome está ligado: “Freeport”; “Face Oculta”, etc. Se todos os operadores da Justiça são competentes e cumprem legalmente as suas funções, houve quem tivesse lançado alertas de que V. Exa. poderia ter praticado actos de corrupção no caso “Freeport” e “um atentado contra o Estado de Direito” no caso “Face Oculta”. Se se confirmar que V. Exa. praticou corrupção como é que um primeiro-ministro, nesta situação, poderá ter capacidade de tirar o país desta enorme crise, honestamente? Não será esta enorme crise um enorme prolongamento das ilegalidades que terão vindo já desde o início? Poderá um determinado cidadão ser, alegadamente, corrupto do ponto de vista pessoal e irrepreensivelmente honesto como primeiro-ministro?
Assistimos, neste últimos anos, a uma autêntica gestão danosa e criminosa dos destinos deste país. O povo exige responsabilidades. As sucessivas medidas de austeridade são um roubo institucionalizado ao povo trabalhador e uma asfixia do país cada vez mais fraco. Estes sucessivos PECs mais parecem uma autêntica vigarice oficializada, um grave atentado contra a Justiça Social em Pacotes de Endividamento Contínuo, num País em Estado de Coma. Só a máquina partidária do PS que está instalada em todo o aparelho de Estado não sente a crise, não sofre sacrifícios e não sente a destruição do país, negando os discursos da desgraça e do país à rasca. Parece que as benesses foram só para alguns.
Enquanto o senhor primeiro-ministro não se demite ou ninguém o faz por si, não faça nada, não saia de casa e fique quietinho porque cada passo que dá é mais um passo para o empobrecimento do país já que só em Outubro de 2010, segundo a revista “Sábado”, as despesas do seu Gabinete foram superiores a onze mil euros. Bem vistas as coisas, se V. Exa. for considerado prejudicial ao país, “persona non grata” o senhor não terá feito mais nada do que comer, beber e passear, faustosamente, à custa do povo.
É importante reduzir o défice, mas a crise soberana não se resolverá enquanto não for respeitada a dignidade humana. Nada é mais importante num país do que as pessoas. Se num campo de milho, mais de metade das plantas morrerem, o agricultor não poderá sobreviver. Valemos mais do que o milho. Mas enquanto houver mais abortos do que nascimentos nas maternidades, o país não terá futuro e a crise continuará. Defende-se hoje mais uma ave de rapina ou uma planta em vias de extinção do que o próprio homem neste país governado por V. Exa. Há regiões despovoadas onde uma criança é uma raridade. O futuro está hipotecado.
V. Exa. desculpa-se com a crise internacional. Mas quem é que decidiu investir em obras megalómanas descontroladamente? Não é preciso ser sábio, basta um pouco de bom senso para reprovar toda esta política assassina que conduziu Portugal à ruína. Qualquer cidadão de bom senso sabe que não pode gastar mais do que o que ganha. O povo diz que “não se pode dar o passo maior do que a perna”.
Apesar de vivermos no séc. XXI, rodeados de grande evolução científica e tecnológica que nos permitiria viver com todas as facilidades e sem preocupações o que o governo de V. Exa. e toda a política socialista nos oferecem é precisamente o contrário: crise, desemprego, dificuldades, privações, cortes de toda a ordem, aumentos insuportáveis do custo de vida e dos bens de primeira necessidade, geração rasca, geração à rasca, geração “casinha dos pais”, geração adiada, geração sem remuneração, etc.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A tirania socialista

Há alguns anos, a luta política centrava-se no ataque a todas as formas da chamada exploração capitalista do patronato reaccionário, dos detentores dos monopólios, dos grandes grupos económicos e dos latifundiários que, sem respeito pelo povo e pelo operariado indefeso lhes sugava o fruto do seu trabalho. Hoje, é urgente unir as forças que nos restam para lutar contra a exploração socialista que engana o povo com mentiras, com promessas de bem-estar e que pôs o país a saque e em estado de sítio condenando os pobres, os remediados, os desempregados e os assalariados à fome e à miséria. Os monopólios e os grandes grupos económicos continuam, os lobbies, e quem dera, hoje, a muitos desempregados terem um patronato reaccionário que lhes desse emprego, lhes pagasse a tempo e horas e não lhes cortasse no salário.
Num cenário de recessão e de naufrágio da economia nada escapa à ganância fiscal deste governo que prometeu benefícios, apoios, empregos, desenvolvimento e um dourado estado social mas que, agora, corta em tudo, cada vez mais e mais, retira apoios, aplica taxas, aumenta impostos, desfaz compromissos, gerando desconfiança, insegurança e anarquia numa espiral de aumento de preços do pão, saúde e habitação e, em geral, de todos os bens de primeira necessidade.
Até os recém-nascidos não escapam a esta catástrofe. Qualquer criança que nasce, aquelas que escaparam ao édito mortífero do aborto, já vem endividada de dentro da barriga da mãe. Nascem já condenadas pelo pecado fiscal original. Que absurdo! Ao que isto chegou! Até estes inocentes, logo que abrem os olhos e entoam o primeiro choro, têm que correr para as Finanças a pedir o cartão de contribuinte, caso contrário não terão direito a uma fralda, a biberão ou uma papa. Este totalitarismo fiscal é uma autêntica tirania, uma perseguição fiscal intolerável e um enorme abuso de poder. Este controle total da vida privada sobre inocentes recém nascidos que não tiveram culpa nenhuma das dívidas contraídas por quem (des)governou antes de nascerem é inadmissível e configura uma verdadeira forma fascista autoritária de política fiscal e económica.
Enquanto isso, é escandaloso que os grandes casos de corrupção, que mancham a honra de quem manda, não sejam igualmente controlados, esclarecidos e resolvidos de forma pública e transparente.
Não há dinheiro para tratar as mães inférteis que queiram ter filhos nem para subsídios à maternidade e abono de família que também sofreram cortes austeros, mas continua a haver dinheiro para abortos às centenas, todos os anos.
O desespero deste governo é tal que, tudo o que mexe tem que pagar imposto para baixar o défice, resolver o endividamento excessivo e todos os desmandos de uma política fraudulenta, incompetente e criminosa.
Não podemos tolerar mais este estado de coisas. É urgente uma revolução a sério, com gente capaz, séria e competente.

Os cenários de recessão, de pobreza e de desemprego que já se sentem e se aproximam a passos largos contrastam fortemente com as encenações festivas e heróicas do governo que, em luminosas acções de propaganda, jura solenemente que “não haverá aumento de impostos”, nem “medidas de austeridade”, nem “despedimentos”, o que demonstra a enorme falta de realismo e seriedade de quem nos governa.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A passagem dos criminosos

De vez em quando vemos e ouvimos certas pessoas muito incomodadas e preocupadas, a protestar e a reclamar contra a passagem de uns quantos alegados criminosos, pelos ares de Portugal a caminho dos Estados Unidos. Já parece uma obsessão. Depois calam-se, esquecem-se como se nada de grave tivesse acontecido e como se deixassem de existir. É claro que ninguém gosta de ver criminosos ao pé da porta. Mas que mal tem, quando nem sequer fomos ameaçados ou prejudicados por tais criaturas? Questão de princípio, de justiça ou de soberania nacional – dirão. Dos milhares de aviões que todos os dias atravessam o nosso espaço, quem imagina quantos criminosos seguem a bordo sem que ninguém se preocupe com isso?
Em vez de se preocuparem com criminosos, em voos secretos que ninguém viu, não seria preferível essas pessoas preocuparem-se com os criminosos que vemos todos os dias, nos entram em casa, nos roubam, nos tiram a dignidade e nos ofendem nos nossos mais elementares direitos?
Ninguém fala, não oiço nem vejo essas mesmas pessoas incomodadas, a protestar contra os criminosos que são directamente responsáveis por esta crise, esta dívida soberana e esta desgovernação em que estamos metidos.
Ninguém protesta contra os criminosos que nos roubam parte dos salários que ganhamos honestamente.
Ninguém se incomoda com os criminosos que nos prometeram igualdade, milhares de empregos e progressismo mas só criaram desigualdade, desemprego e miséria. A maioria da população sobrevive com salários mínimos ridículos comparados com a maior parte dos países da Europa. Como é possível fazer face ao custo de vida cada vez mais difícil com os combustíveis a um preço insuportável enquanto esses criminosos, com fabulosos vencimentos e todo o tipo de mordomias ficam imunes aos sacrifícios que impõem aos outros.
Ninguém fala contra os criminosos que prometeram saúde tendencialmente gratuita, o Serviço Nacional de Saúde, mas nos sobrecarregam com taxas cada vez mais pesadas e custos sempre mais elevados em todo o tipo de serviços de saúde.
Ninguém protesta contra os criminosos que se intitulam paladinos do chamado “Estado Social” mas nos cortam, até, no abono de família que já vêm do tempo do Salazar, do tempo do fascismo. Afinal, quem é mais criminoso e mais fascista?
Ninguém se incomoda com os criminosos que nos têm mentido e enganado, dizendo que a crise não iria chegar, que a nossa economia iria resistir, depois, que já tinha passado e que já havia sinais de recuperação, que não iria haver aumento de impostos e que não seriam necessárias medidas de austeridade e agora nos impuseram pesados sacrifícios em nome do bem comum e para vencer a crise, enquanto eles arranjam formas de escapar a esta rigorosa austeridade.
Ninguém se incomoda com os criminosos cujo nome está incluído em inúmeros processos judiciais que nunca foram verdadeiramente esclarecidos, porque permitem que a Justiça esteja fortemente politizada em vez de ser independente, célere e imparcial.
Ninguém se incomoda com os criminosos que têm feito uma autêntica gestão danosa do património público vendendo imóveis indubitavelmente necessários ao funcionamento das instituições e de todos os serviços públicos que asseguram o funcionamento da vida democrática, ficando depois a pagar rendas exorbitantes às entidades privadas que os adquiriram. Qual é o cidadão, minimamente sensato, que vende a sua casa para saldar as dívidas ficando depois a pagar uma renda astronómica e incomportável para as suas possibilidades?
Ninguém se incomoda com os criminosos que degradaram os valores do humanismo e da moral com a aprovação de leis iníquas que são autênticos atentados contra a dignidade e os direitos da humanidade.
Ninguém se incomoda com os criminosos que hipotecaram as gerações futuras com dívidas cada vez mais elevadas, com desemprego, com desigualdade, com injustiça, com corrupção e todo o tipo de calamidades.
Os tais voos secretos que transportaram os alegados criminosos terão deixado apenas um rasto de CO2 na atmosfera enquanto estes outros criminosos deixaram um rasto de destruição e de morte que perdurará por muitas gerações. Mas deles ninguém fala.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Democracia ou ditadura?

A crise e o pensamento único
Acabou-se o pluralismo, a diversidade e a divergência de opiniões. Em relação ao Orçamento de Estado todos os comentadores, em geral, e a maior parte dos políticos, principalmente do partido do governo afirmam que o Orçamento é mau mas não há outro remédio, vai doer, que os sacrifícios não são insuportáveis para os portugueses, etc., etc.
A crise fez-nos entrar no regime do pensamento único. Quer seja a direita, quer a esquerda, toda a gente concorda que o futuro não vai ser um mar de rosas e que temos que aceitar medidas duras e dolorosas.
Perante esta situação há que perguntar:
Como é que foi possível chegar a esta situação?
Quem são os responsáveis?
O que fizeram, durante tantos anos, centenas de deputados, ministros, secretários, sub-secretários e toda a restante classe político-partidária a quem o país pagou para bem conduzir os destinos do povo?
Como é que, no século XXI, num estado actual de enorme desenvolvimento da ciência, da cultura e do conhecimento em geral, a classe política seja tão incompetente e que não saiba gerir eficazmente um país, um povo e uma pátria?
O fracasso a que estamos condenados, que nos conduz a um beco sem saída ou em que a única saída é a austeridade sustentada num pensamento único, atesta a inutilidade de toda a classe política.
Porque é que havemos de estar a pagar a duzentos ou a trezentos deputados, se um só é suficiente para dizer que o futuro é austero e difícil e que o caminho é só um? É inútil e desnecessário estarmos a pagar a trezentos políticos se um só pode defender a mesma opinião.
A democracia deu lugar à ditadura da incompetência, da austeridade e da penúria. Num cenário de fome e de miséria onde as necessidades mais básicas que sustentam a vida são reprimidas, a segurança, a saúde, a habitação etc., onde estão os direitos fundamentais de uma democracia? Se o país não tem recursos e se para existir tem que estar, economicamente, dependente de quem lhe empresta dinheiro, onde está a soberania? Pode a autonomia política existir sem uma autonomia económica?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Carta aberta a José Sócrates

Ex.mo Senhor,
José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa,


Sou um cidadão português indignado e revoltado por ter o primeiro-ministro que tenho, porque me parece que o senhor, que ocupa o honroso cargo de primeiro-ministro, não tem, de facto, dignificado o cargo, a pessoa que o detém, nem o país. No uso da minha liberdade e no exercício de todos os direitos cívicos, políticos e de cidadania decidi dirigir estas palavras a V. Excelência porque não posso mais calar esta revolta, esta mágoa e esta indignação.
Há largos anos que o senhor é suspeito ou, pelo menos, o seu nome aparece ligado a uma série de “casos”: de irregularidades, ilegalidades, falsidades, se não mesmo, crimes de corrupção e atentado ao Estado de Direito. Há muito tempo que espero que todos estes casos sejam, definitivamente, encerrados e esclarecidos com uma clara declaração e comprovação de inocência ou de culpa. Mas nada disso tem acontecido.
A verdade, como afirmou V. Excelência, vem sempre ao de cima, mas pelos vistos, parece que ainda está a grande profundidade. No chamado “caso Freeport” que foi dado como concluído recentemente, afinal, parece que “a procissão ainda vai no adro”.
“Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo”, diz o povo, mas, parece-me que isso nunca acontecerá com a ajuda da Procuradoria Geral da República, dos seus Procuradores e das suas demoradas investigações.
Senhor José Sócrates, ao longo de todos estes anos de investigação do caso FreePort, ao qual o nome de V. Excelência está fortemente ligado, que já foi arquivado e reaberto mais do que uma vez, sobre o qual muitas notícias referiram factos que, alegadamente, comprometem V. Excelência, onde foram referidas pressões sobre os investigadores, sobre o qual me parece que os próprios investigadores não se entendem e o Senhor Procurador se reconhece desautorizado, sentindo que tem o poder da Rainha da Inglaterra, em que um despacho, inédito, dá o caso como concluído, indicando por outro lado, que houve investigações e inquirições que não foram realizadas e os procuradores tiveram que negociar com o DCIAP, em que a própria directora do DCIAP declara que as perguntas que não foram feitas não iriam alterar o teor do despacho, não parece a V. Excelência que todas estas confusões descredibilizam toda a investigação e que parece que ninguém está interessado em apurar a verdade dos factos? Não parece a V. Excelência que é a própria directora do DCIAP, em quem os procuradores não têm confiança, segundo notícias recentes, que está a bloquear tudo e a proteger V. Excelência? Como é que a directora do DCIAP se arroga o direito de adivinhar as possíveis respostas às vinte e sete perguntas a que V. Excelência não respondeu dizendo que não iriam alterar a conclusão do despacho? Não parece a V. Excelência que as investigações que falta fazer seriam fundamentais e poderiam comprometer V. Excelência seriamente, como, por exemplo, as investigações sobre o destino das avultadas quantias que os promotores ingleses do FreePort declararam ter pago para que a obra se fizesse?
Se se confirmar que tenha existido uma protecção especial sobre V. Excelência por parte dos agentes da Justiça, o que seria de extrema gravidade, que consequências deverão ser retiradas?
Para além de todas estas confusões e pela demora deste processo, parece-me que a forma como V. Excelência trata este assunto contribui, ainda mais, para avivar o descrédito e a desconfiança que eu sinto em relação à descoberta da verdade.
V. Excelência, senhor José Sócrates, foge ao assunto, desvia-se o mais que pode, não mostra estar à vontade para encarar comentários ou questões sobre a matéria e tem passado o tempo a vitimizar-se, que sofre ataques pessoais de forma injusta, tal como a sua família, etc. Uma situação, além de outras semelhantes, que me leva fazer todas estas considerações, foi a declaração “oficial e solene” que V. Excelência proferiu no fim de Julho pp. para reafirmar a inocência logo que o DCIAP deu o caso por encerrado. V. Excelência não deu qualquer oportunidade aos jornalistas para que fizessem perguntas. Concluído o discurso, desapareceu, imediatamente, de cena. Porque é que V. Excelência não permaneceu na sala mais uns minutos? Porque é que não se dispôs a responder a eventuais perguntas dos jornalistas? Porque é que não ficou calmo, sereno e seguro da inocência, saboreando o triunfo e os louros da vitória sobre os caluniadores, em vez de se pôr a milhas? Tinha muita pressa ou sentia a consciência intranquila? Esta atitude diz tudo, senhor José Sócrates.
Parece-me que, de facto, V. Excelência tem a consciência pesada e se pudesse ficaria sempre na sombra ou se meteria num buraco. Só vemos V. Excelência na ribalta para inaugurar uma pequena barragem ou uma nova estrada, mas sempre com muita pressa, servindo as inúmeras viagens como momentos de evasão. Por outro lado, parece-me muito estranho que V. Excelência condicione, combine previamente e limite os temas de uma entrevista como ficou demonstrado na última campanha eleitoral. Um cidadão que ocupa o alto cargo de primeiro-ministro não deveria estar, completamente, à vontade para responder a tudo o que lhe for solicitado sobre a governação de um país?
Confesso-lhe, senhor José Sócrates, que as atitudes de V. Excelência, a postura, a forma como aparece em público e as suas declarações de inocência não me convencem e fico sempre com mais dúvidas do que tinha antes. Parece-me que V. Excelência foge da comunicação social como se tivesse medo das perguntas e por isso dá a entender que tenta evitar o mais possível essas oportunidades. A impressão com que fico quando vejo V. Excelência a proferir declarações de que não mentiu (no caso PT/TVI), de que a verdade veio ao de cima, que foi alvo de calúnias, vitimizando-se, a minha impressão é de que tudo é pura falsidade e encenação.
V. Excelência não me inspira nenhuma confiança porque me parece que o senhor se compromete mais e mais cada vez que se pronuncia sobre a sua própria inocência. As palavras que profere soam-me todas a oco. A minha impressão é de que os gestos de V. Excelência e o sorriso forçado e artificial são francamente denunciadores de toda essa falsidade.
Senhor José Sócrates, se V. Excelência é, de facto, inocente, reconheço que tem sofrido, injustamente, muitas calúnias e ataques ao longo destes anos mas se, pelo contrário, é culpado, o senhor não terá outra alternativa senão confessar a verdade. Quer seja inocente ou não, esta novela terá que ser definitivamente encerrada para que V. Excelência deixe de ser eternamente suspeito e deixe de ser atacado e caluniado até ao fim dos seus dias.
Em vez de declarações piedosas de que está inocente, em que muitos, como eu, não acreditam, V. Excelência terá que apresentar provas inequívocas desse facto: sacrifique um pouco a sua privacidade, mostre as suas contas bancárias, prove que ganhou a vida honestamente e que não recebeu qualquer suborno, mostre todos os documentos que comprovem esses factos e poderá passar a viver livre de qualquer suspeita e calar todas as vozes acusadoras. Não há coisa mais democrática do que a verdade da matemática, limpa, justa, isenta, clara e transparente. Lanço um grande repto a V. Excelência, um enorme desafio: tome essa arrojada decisão para calar todas as vozes maldizentes e provar que todas as declarações de inocência são autênticas, que o veredicto final do DCIAP é verdadeiro, mostrando todas as fontes de receita que V. Excelência auferiu ao longo dos anos a que se referem as acusações. Esse grande gesto de V. Excelência, de enorme surpresa e transparência, tornará inúteis todas as investigações feitas até hoje. A verdade documental falará mais alto. Não terá grande dificuldade porque ninguém como um primeiro-ministro terá uma contabilidade tão organizada, tão clara e transparente. Responda a todas as dúvidas sobre o que já foi e o que ainda falta investigar. Lembre-se senhor José Sócrates de que pior do que a “longa noite fascista” da nossa História recente, só esta longa noite de confusão obscurantista da Justiça do caso FreePort e  dos restantes. O assunto é sério e grave. Não podemos continuar a perder tempo, a consumir os recursos do país e a desgastarmo-nos com esta ditadura da dúvida, da ignorância e da suspeição.
Caso não seja possível apresentar documentação credível, senhor José Sócrates, V. Excelência terá que perder o medo, encher-se de coragem e confessar tudo. O povo julgou-o nas urnas com um programa cheio de promessas, sem processo organizado, mas o país está às avessas e com o seu chefe descredibilizado.
Compreendo que não é fácil confessar, depois de ter passado todos estes anos a clamar por inocência. Mas ninguém está acima da lei. Muitos outros políticos, ao longo da História, foram parar atrás das grades. V. Excelência não será pioneiro nessa matéria. Não se sinta agarrado ao Poder como se fosse alguém insubstituível. Ainda há muita gente neste país com sabedoria e capacidade para ocupar, talvez com mais competência, o cargo que deixar vago. Se V. Excelência é mesmo culpado, o senhor sabe-o melhor do que ninguém, a questão da privacidade é uma questão menor. Perante este “pecado social”, “valores mais altos se alevantam”.
Sinto uma enorme vergonha de ser governado por um primeiro-ministro em quem grande parte do país não acredita. Todos nós temos o dever de transparência e de honestidade e com muito mais razão quem detém o cargo de primeiro-ministro.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

"Salto escolar"

Nenhum aluno estava preparado para passar do 8.º para o 10.º ano, só porque tinha atingido os 15 anos. (Que bela idade! Quem me dera ter 15 anos!) Afinal a idade não é um posto.
Os atletas de alta competição, que participam nos Jogos Olímpicos, treinam diariamente, com esforço, para poderem ganhar no salto em comprimento, no salto em altura ou no triplo salto. Não podem fazer batota na colocação do pé de apoio, junto da linha e não podem tomar qualquer tipo de fármacos para saltarem com mais força. Se treinarem apenas na véspera, o mais certo é nem sequer serem apurados para as provas. Parece que o governo queria dar a alguns alunos uma espécie de dopping institucional à margem do funcionamento normal do "desporto escolar" para um duplo salto ou para um salto em altura, sem a devida preparação dos atletas.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Carta Aberta ao Partido Socialista

Ex.mos Senhores dirigentes e militantes do PS,
O Socialismo acabou, não só cá como na Europa e por todo o mundo. Há muito tempo que temos ouvido dizer, por cá, que foi posto na gaveta. A prática política deste governo atesta, com toda a clareza, esta conclusão. O Partido Socilaista, que está no governo, é como um náufrago agarrado à bóia de salvação no meio de uma enorme tempestade, presa ao navio, com a casa das máquinas inundada. O navio é o próprio país.
O Socialismo, em Portugal, afinal nunca existiu. É um resíduo virtual das lutas históricas do século XX, importadas, como sempre aconteceu. Nunca criámos nada, importámos tudo.
Quando os históricos revolucionários do século XIX, nos alvores da Revolução Industrial se indignaram contra as situações de exploração capitalista, de mão de obra barata, que enchia os bolsos aos ricos proprietários, nas fábricas inglesas, onde se trabalhava de sol a sol, como na agricultura, sem que alguma vez alguém tivesse falado em direitos dos trabalhadores, em horários de trabalho e em salários justos, a força da indignação e da revolta deu origem ao “Socialismo”, às rectóricas da igualdade e da justiça social e da repartição mais justa da riqueza entre assalariados e patronato. Pura ilusão!
Hoje não há revolucionários, foram um fogacho que se apagou. Os auto-proclamados herdeiros destes ideais, auto-intitulados defensores dos trabalhadores, dos desprotegidos e dos pobres, aqueles que se dizem de esquerda, nunca souberam fazer mais nada na vida, a não ser, ir ao bolso do grande patronato e nacionalizar, confiscar e distribuir, atacando-o como criminoso, expoliando-o dos seus bens como inimigo a abater. Destruído o patronato, a força criadora de novos empregos e a iniciativa privada criadora de riqueza, estes supostos defensores da Justiça Social e do Socialismo, que em 1975, em Portugal, começaram a delapidar a economia nacional e a esvaziar os bolsos dos patrões, vieram, mais recentemente, prometer cento e cinquenta mil empregos, progressismo, bem estar e tudo o que se imagina num paraíso terreal. Mas o resultado foi precisamente o oposto: a crise da miséria, da penúria e da fome.
Muitos destes lutadores anti-fascistas, hoje, grandes figuras históricas, na reforma, substituiram os grandes capitalistas através da demagogia, do seu poder e influência. A diferença é que os chamados capitalistas exploradores do passado davam emprego, criavam riqueza, construiam fábricas, em nome do progresso económico, do lucro e da felicidade. Morriam com a sensação de terem deixado obra feita. Os capitalistas de hoje vivem das suas fortunas acumuladas em função dos altos cargos que ocuparam, alegadamente ao serviço do povo, da fama que alcançaram, das reformas douradas e de todo um conjunto de benesses e mordomias que eles próprios definiram a seu favor, atraiçoando quem os elegeu, em nome da igualdade. Morreram ou morrem deixando a sensação de que foram mais parasitas e exploradores do povo do que aqueles que combateram. A tão propalada igualdade e justiça social ficaram no papel. Se no passado as injustiças sociais estavam na exploração de algum trabalho escravo e nos baixos salários, hoje estão nas centenas ou milhares de remunerações, regalias e mordomias altamente escandalosas mas improdutivas e inúteis dos incompetentes detentores do poder e dos seus acólitos (boys), que como sanguessugas do povo “comem tudo e não deixam nada”. Antes, as injustiças eram localizadas nesta ou naquela empresa, hoje a injustiça está nacionalizada. Esta é a razão da actual crise mundial. Qual adolescente, insubmisso e insolente, que devolve o carro ao pai, sem gasolina e a precisar de oficina, tal é o PS e o governo, em Portugal, no seu afã de privatizar para tentar remediar.
O Socialismo é uma doutrina estéril que só sobrevive em cima do capitalismo. É como um parasita que não subsiste se não estiver a sugar o sangue do animal a que está agarrado. A crise de hoje é um parasistismo sem presa, porque não há quem produza. Só o Estado Previdência e Providência, Estado “papá”, todo poderoso (mas sem poder, sem capital), poderá matar a fome aos infelizes, sempre submissos e sem forças para se sustentarem por si próprios.
Outra vertente do Socialismo é o seu materialismo e o desprezo pelos valores da transcendência e da espiritualidade. Em nome do laicismo e da isenção, destruiu todos os valores do humanismo e da dignidade humana: as leis do aborto, do divórcio “à la carte”, do “casamento gay”, etc. são disso exemplo claríssimo. Nunca haverá recuperação, neste país, enquanto estas leis não forem rasgadas. Mais cedo ou mais tarde, uma árvore com as raízes cortadas acabará por morrer. O Socialismo materialista cortou as raízes principais que sustentam a vida e são a base da nossa tradição cultural.
A ingenuidade socialista é ilimitada: “semea ventos mas não espera colher tempestades”. A crise e os males sociais são sempre culpa dos outros. As suas alegadas boas intenções justificam a sua suposta inocência, mas a sua real incompetência ético-política e filosófica é a causa de toda a degradação da vida social e pessoal dos cidadãos portugueses e do colapso do país.
A ruína, o caos e a desorientação são visíveis em todos os sectores: na Economia, na Justiça, na Educação, na Saúde, nada escapa porque a podridão e a doença alastram por toda a parte.
No domínio da Economia, tudo está a encerrar as portas. Qual taberna sebenta, cujo dono está velho, trôpego e doente, sem clientes, cheia de pó e de teias de aranha que ostenta no vidro partido da janela a etiqueta “Trepassa-se”, tal é o país em que vivemos, local indesejado, sem interessados no negócio: fecham fábricas, encerram empresas e serviços imprescindíveis à vida dos cidadãos e do país: a oficina do bairro, a loja, o minimercado, o escritório, o contabilista, tudo fecha as portas, num cenário de fim do mundo e de despedida.
O custo de vida sobe, diminui o poder de compra e falta o dinheiro. Aquilo a que devíamos ter direito e nos foi prometido: o pão, a saúde e a habitação tornaram-se inacessíveis. Pagamos tudo a dobrar, com os impostos e com taxas moderadoras. Só os ricos se podem safar, como antigamente. Nem nas estradas (SCUT) podemos andar livremente, apesar dos pesados impostos que o automóvel já carrega tal como os combustíveis que consome e que pagamos, hoje, como quando o barril de petróleo atingiu o máximo histórico, estando agora por metade. O país que é nosso, que é do povo, afinal, é só para alguns. É nosso mas temos que pagar.
Por outro lado, as portas do desemprego abrem-se, de par em par, todos os dias. Aumenta o número de pessoas a viver de subsídios, do rendimento mínimo e de esmolas. A falta de trabalho, a ociosidade dá azo a outros males, em cadeia, vícios, crimes, doenças nervosas, depressões, etc. O governo limita-se a justificar o nosso mal com o mal dos outros: “os outros estão igual ou pior que nós”, um paliativo enganador. “A crise é geral”. Ninguém pode confirmar ou desmentir. Lá fora, tão longe...
No campo da Justiça o cenário não é melhor. O crime e a insegurança nas ruas, nos comboios, nas habitações é cada vez maior. As forças de segurança não seguram nada e elas próprias se sentem revoltadas e frustradas porque é inglório o seu esforço e sentem que estão a obedecer a um poder desnorteado. O sistema judicial parece estar totalmente politizado. A desordem política reflecte-se na ineficácia da Justiça onde nada se resolve, o criminoso é protegido e as vítimas não vêem defendidos os seus direitos. A máquina da Justiça é como uma locomotiva do séc. XIX, pesada, enferrujada e bloqueada por um simples grão de areia na complicada engrenagem, ineficaz, inútil e dispendiosa.
O sector da Educação parece ter-se transformado numa agência de diplomas grátis. O partido Socialista e o seu governo consideram que qualquer pessoa tem direito a um diploma como um trabalhador do séc. XIX a um justo salário. Enquanto se colocam taxas em todas as auto-estradas, na educação convém subir as estatísticas da escolarização com o mínimo de custos. A educação passou a ser uma auto-estrada sem portagens em que o conhecimento parece ser o que menos interessa. O trabalho penoso, o esforço e a exigência fazem parte do passado, do capitalismo rigoroso e calculista que fez as auto-estradas, o “Socialismo” parece querer servir-se delas sem restrições, com todo o facilitismo. Os professores parecem ter passado a ser uma espécie de funcionários da portagem, a quem são exigidas inúmeras tarefas burocráticas sobre avaliação de desempenho, realização de acções de formação, etc.
A Saúde está doente, porque o país tem hematomas graves por todo o corpo e o seu estado geral é de grave doença física e mental. Faltam médicos e as vagas para Medicina continuam limitadas em função de determinados interesses. O Serviço Nacional de Saúde é um simples serviço regional localizado e sem recursos. Muitas unidades de Saúde, construídas para servir as populações, são encerradas pouco depois de serem inauguradas, enquanto as clínicas de aborto têm toda a prioridade, onde não podem faltar recursos. Dá-se prioridade à morte em vez da saúde e da vida. A medicina é cara e só acessível aos privilegiados. Onde está a saúde acessível ao povo, nas regiões mais abandonadas?

Senhores dirigentes e militantes socialistas, é urgente acabar com este erro histórico e esta ilusão do Socialismo. Estais completamente enganados. O Partido Socialista, em Portugal, é o único culpado da situação ruinosa em que nos encontramos. Prometeu, mentiu e enganou descarada e intencionalmente só para se manter no poder. Os responsáveis devem ser julgados, castigados e severamente punidos. Não podemos aceitar esta situação impunemente. O país está a morrer. Não há futuro, nem esperança.