segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Na hora do recreio I
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Milhões ao desbarato
Há pessoas que não têm possibilidades de se alimentarem dignamente, crianças que passam fome, reformados que sobrevivem com uns míseros duzentos euros.
Como é possível permitir-se que se gaste tanto dinheiro inutilmente e ao desbarato, a maior parte das vezes para semear ilusões ou para prometer o impossível?
Hoje, grande parte ou mesmo a maioria da população sabe ler e tem acesso aos meios de comunicação social mais comuns, a rádio e a televisão, por que não limitar as campanhas eleitorais a um conjunto de comunicados, debates com todos os candidatos e outro tipo de informação prestada aos cidadãos? Gastar tanto dinheiro em campanhas é tomar o povo como analfabeto e inculto.
Todos os partidos deveriam ser considerados iguais, com tempo de antena igual. O passado não deveria ser critério para o futuro. Cada eleição é uma renovação, é um começar de novo. Se os partidos são favorecidos, monetariamente, em função dos votos conseguidos no passado, já estão em vantagem em relação a um partido que apareça pela primeira vez. Ninguém garante que este não seja melhor do que o outro. Esta seria a verdadeira democracia, justa e igualitária. Se avaliarmos os partidos pela maior exuberância demonstrada, quem nos diz que os que dão sinal de maior vitalidade não são como as ervas daninhas que crescem mais e são mais viçosas do que as plantas cultivadas? Em geral as ervas daninhas roubam e consomem os nutrientes que o agricultor coloca na terra para alimentar a boa semente, ficando esta, muitas vezes a definhar. Parece-me que com os partidos mais gastadores acontece o mesmo.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Eleições legislativas e autárquicas
O senhor Presidente da República tem nas mãos a batata quente da marcação das eleições legislativas. Uns partidos consideram que as eleições autárquicas e as legislativas não devem ser no mesmo dia porque está em causa “o valor da democracia” ou “a clareza democrática”, etc.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Educação sexual?
O governo, pela voz do primeiro-ministro José Sócrates, propôs, há dias, a distribuição gratuita de preservativos nas escolas, no próximo ano lectivo, de acordo com o seu programa de educação sexual.
Esta proposta é, com toda a evidência, mais uma medida avulsa que não vai ter consequências práticas, como tem acontecido com a maioria das decisões deste governo, por diversas razões:
Primeiro: se um dos grandes objectivos da educação sexual é promover a saúde reprodutiva entre os jovens, não será uma falha grave a inexistência de condições efectivas para que isso aconteça? Como é que um rapaz, sexualmente bem formado e informado, pode dar o devido uso ao seu preservativo se a escola não tiver instalações apropriadas? Se o fundamental da educação sexual está no preservativo, e não se trata do sexo dos anjos, por que não transformar algumas salas de aula em cubículos confortáveis para o efeito? (Nada foi esclarecido sobre a forma das sessões, se colectivamente ou em privado.) Não será uma enorme frustração sexual ter que ir para o jardim, para debaixo da ponte, para um campo de milho ou embrenhar-se na vegetação ripícola, ecologicamente agradável, mas sujeito a alergias, picadas de insectos e outras mazelas? Alugar um quarto, nem que seja no hotel mais económico da região, não estará ao alcance de qualquer estudante. Em casa? E se os pais forem anti-progressistas e antiquados, como poderão admitir poucas vergonhas sob o seu tecto? Só haverá uma alternativa, apetrechar as escolas com modernos e confortáveis divãs freudianos onde os jovens, em início de carreira, dando largas à "libido", possam realizar a sua catarse sexual, onde não faltem afrodisíacos e produtos afins, caso contrário continuará tudo como dantes: nos becos, nas vielas, no meio do lixo dum armazém abandonado ou na poeira húmida da cave de uma casa em ruínas pejada de ratazanas e teias de aranha. Provavelmente, o senhor primeiro-ministro já terá pensado em tudo isto e as novas escolas, em construção por todo o país, já terão resolvido esta grave lacuna.
A falta de instalações adequadas implicaria, também, uma grande falta de higiene e não tardaria que proliferassem pela relva e pela calçada os imundos látexes das delícias a poluir o caminho. Imagine-se o embaraço de uma professora de Biologia, a entrar na aula, com o salto alto conspurcado por uma camisinha abandonada!
Uma outra razão que me leva a considerar que a distribuição gratuita de preservativos é uma medida avulsa e sem efeitos práticos é precisamente por serem gratuitos. Tudo o que é dado gratuitamente desvaloriza quem recebe e desmotiva quem dá. Toda a educação exige esforço, sempre foi assim. Os jovens têm que saber o que custa a vida. Se na educação sexual tudo é dado, o preservativo, a parceira, que se oferece com prontidão, a escola que aprova, o governo que apoia e todas as associações de pais e alunos que aplaudem, como é que pode existir uma sexualidade consciente e responsável? Tornar cara e difícil a aquisição do preservativo não seria uma razão forte para o usar? Não faria reflectir e tomar consciência do acto? Todo este facilitismo não torna o sexo demasiado banal e desmotivante? Se tudo é dado em troca de nada quem é que assume a responsabilidade? Onde está aquela tensão que faz sobressair o poder e o sabor da conquista que torna o troféu mais valioso, porque mais desejado?
domingo, 31 de maio de 2009
Em nome da dignidade e do futuro
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Política "justiceira"
(Algumas perguntas)
Que diferença haverá entre o caso Dias Loureiro/SLN e o caso Sócrates/Freeport?
Porque é que alguns partidos pedem a demissão de Dias Loureiro, com base apenas em suspeitas, e não pedem também a demissão do primeiro-ministro?
Se se parte do princípio de que as acusações ao senhor primeiro-ministro são infundadas e sem crédito, porque é que não se parte do mesmo princípio em relação ao Dr. Dias Loureiro?
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Pressão na justiça?
Escrituras públicas?
Toda a gente sabe, sem a menor dúvida, que todas as escrituras são actos públicos. É por isso que todas as escrituras são publicadas nos jornais, para que toda a gente possa ter conhecimento delas, para que possa haver reclamações, se for caso disso e para que não venha a acontecer que, uma pessoa, zangada com o seu vizinho, lhe confisque uma propriedade, fazendo uma escritura, às escondidas. É por isso muito natural que um qualquer cidadão possa ter acesso a qualquer escritura sem ter que invocar qualquer razão ou justificação para tal. Penso que não estou enganado e peço a alguém que me esclareça, se não for assim.
Perante isto só podemos interpretar as declarações do senhor Secretário de Estado da Justiça como um sinal inequívoco de que o Ministério da Justiça, o governo e o poder político, em geral, se opõem fortemente a que o caso Freeport seja esclarecido. Como é possível um membro do governo proferir tais afirmações, quando todos os especialistas do Direito, do Notariado, em particular, dizem, precisamente o contrário? Aqui está um sinal de como a Justiça não funciona, os processos se arrastam indefinidamente e acabam por prescrever sem que os alegados criminosos sejam devidamente castigados.
Aqui está a prova, na minha opinião, de que não há independência da Justiça e da investigação judicial, jornalística ou não, perante o poder político, numa altura em que muito se tem falado de pressões sobre a Justiça.